terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Oficina Terapêutica de Animação estimula crianças e adolescentes a produzirem trabalhos artesanais em mídia.

Será oferecida no centrinho da Lagoa, a partir de março, uma oficina terapêutica de animação para crianças e adolescentes  focada na produção artesanal de peças audiovisuais, utilizando as técnicas de stop motion e pixalation. Estas técnicas permitem, através de uma atividade em grupo, explorar parte do trabalho de produção de mídia, fazendo uso de ferramentas digitais (computador e máquina fotográfica) que possibilitam dar vida e movimento a personagens, criados a partir de diversos materiais (stop motion), ou através de jogos teatrais, onde os próprios participantes interpretam os personagens a partir de exercícios de expressão corporal, que são fotografados e animados digitalmente (pixalation).
Estes exercícios estimulam a criatividade, a espontaneidade e o desenvolvimento do espírito de coletividade e cooperação através do jogar, contribuindo para o desenvolvimento harmonioso de diversos aspectos da personalidade. A oficina possui um viés terapêutico, porém, também apresenta um caráter socioeducativo embasado nos aspectos da mídia-educação, que busca fornecer recursos para se compreender melhor a linguagem, pela qual operam os diferentes meios de comunicação. Procura-se oferecer, também, um espaço de diálogo entre a produção e o consumo de mídia pelas novas gerações, que crescem cada vez mais expostas a diversos meios de comunicação.
Percebemos que localidades de cultura tradicional, como a Lagoa da Conceição e diversas outras comunidades de Florianópolis, vêm sofrendo um intenso processo de transformação, não somente de seus espaços físicos, mas, sobretudo, em relação à sua identidade cultural.  A partir da emergente necessidade de se relacionar com os valores que vêm de “fora”, trazidos pelos ventos do turismo e pela crescente onda da proliferação de dispositivos tecnológicos, que fornecem inúmeras possibilidades de produção, consumo e compartilhamento de mídia. Nos leva a pensar que estamos vivendo em meio a uma revolução na forma de nos comunicarmos.
Partindo-se do princípio de que o ser humano é um ser social, e se constituí através da forma como se relaciona com o mundo e com a sociedade, presumimos que existe, também, uma revolução na forma como se desenvolvem as subjetividades e as identidades das novas gerações. Os ditos nativos digitais, por sua vez, têm cada vez mais expandido o conceito de identidade para além de qualquer senso de comunidade, que não seja aquele tangenciado pela cobertura das redes sociais, tecidas através de conexões que escapam às antigas noções de comunidade e espaço social.
Ao mesmo tempo, assistimos a uma crescente epidemia de diagnósticos de hiperatividade, assim como, uma consequente busca por medicações que contenham a pulsante agitação e ânsia de toda uma geração ávida por se comunicar, e mais do que isso, com potencial para criar uma linguagem e uma cultura própria através das novas tecnologias, que em sua grande parte foge ao conhecimento dos pais e professores. Surge assim, toda uma gama de possibilidades de compartilhamento de significados, afetos e valores através de novos signos sonoros e visuais, que constituem os emergentes símbolos de uma nova cultura digital.
Para o psicólogo Carl G. Jung, o conceito de "Anima", também, está ligado à energia que dá vida e coloca em movimento os corpos que por si só, são providos apenas de matéria bruta. Desta forma, podemos entender que a palavra "Anima" também designa a alma ou a essência de um corpo. Esta palavra foi escolhida para ilustrar a oficina de animação, também, para anunciar o objetivo de oferecer um processo de sensibilização estética, que procura despertar na alma dos participantes um espírito crítico, porém, compreensivo e tolerante para com as diferenças. Atentos para as construções de estereótipos, preconceitos, significados, valores e representações veiculados nos meios de comunicação, conceitos que também deverão ser discutidos e refletidos através da produção de peças audiovisuais pelo grupo.
 De igual forma, pretende-se criar um espaço de discussão e de mediação para temas e conflitos em comum vivenciados por diferentes pessoas que participam deste processo de reconfiguração cultural. Observamos que, ultimamente, crianças e adolescentes cada vez mais adquirem espaço na sociedade, assumindo um papel mais ativo dentro das decisões familiares. Sabemos, também, que este potencial de consumo e capacidade de comunicação desta nova geração merece receber uma orientação mais específica, a fim de que possamos formar cidadãos críticos para um mundo que demanda, cada vez mais, consciência no consumo, tolerância às diversidades e o respeito às minorias.
Acreditamos que este pode ser um processo terapêutico definitivamente alternativo e inovador, pois, partindo de um trabalho em grupo, realizado em uma clínica psicológica convencional, pretende-se expandir o próprio conceito de clínica, e levar a voz dos participantes para circular por outros espaços. A fim de se relacionar com outras vozes, possibilitando novos encontros e diálogos, através de novas configurações do que pode continuar a vir a ser humano demasiado humano. Ainda!
Traga seu filho para fazer novos amigos, aprender a produzir animações e alimentar seu espírito crítico e estético, através de um trabalho de sensibilização e criação de textos de mídia. Ainda estamos formando grupos para este semestre. Contatos com o psicólogo, Fábio Lessa Peres, através dos telefones 3232-5115 ou 8821-5097, e-mail peres.fabio@gmail.com. Marque um horário para uma visita e venha conhecer o nosso espaço! Rua Manoel Severino de Oliveira, n. 515, sala 105.

Fábio Lessa Peres
Psicólogo (CRP-12/08899).